domingo, 7 de julho de 2013

PRIMEIRA SEMANA PÓS-CIRURGIA

No segundo dia (terça-feira, 02/07) acordei com a vista bem melhor, mas não enxergando como a maioria que pesquisei dizia na internet, como um novo mundo. Via bem melhor, mas ainda turvo não conseguindo ler com facilidade as coisas pela casa. A panaceia de que no outro dia o mundo seria novo não foi bem verdade para mim, mas já era muito bom. No fim desse dia já tinha um dos olhos quase enxergando 90% e o outro uns 75%. Não senti incomodo com a luz, nem ressecamento dos olhos, senti que nesses quesitos estavam tranquilos.

No terceiro dia (quarta-feira, 03/07), quando voltaria ao hospital, minha vista direita (a primeira a ser operada e a que tinha 2,50 de astigmatismo, além da miopia) acordou mais turva, o olho esquerdo já estava próximo dos 100% (sempre soube que meu lado esquerdo era mais ativo e promissor), fui dirigindo para o hospital sozinho, com muita agonia pelo olho direito estar pior, mas chegando lá até entrar no consultório ele foi melhorando e quando entrei a visão já tinha voltado ao normal. Fiz os testes de leitura e o médico disse que para o terceiro dia eu já estava ótimo, que o vermelho ficaria mais um tempo, talvez nos próximos 20 dias e que a vista só ficaria 100% mesmo depois de 3 meses, podendo avaliar o resultado final. Depois disso fui liberado para o trabalho.

No quarto dia (quinta-feira, 04/07), fui para uma atividade do trabalho na Av. Paulista, meu olho direito acordou pior do que na manhã do dia passado, bem mais embaçado e o esquerdo estava melhor do que no dia anterior. Fui com muito incomodo para essa atividade por conta da visão, mas imaginei que ela voltaria como voltou no dia seguinte. O tempo foi passando, o sol saindo, a vista cansando e nada dela voltar, coloquei os óculos escuros e o cansaço amenizou, mas a preocupação foi grande pois não sabia o que era e não imaginava que a visão poderia retroceder. Não só isso, o medo de a operação ter dado errado, de que eu ficaria cego e tudo mais foi ficando forte, confesso que nesses primeiros dias não relaxei o suficiente por conta dessa impressão de que tudo poderia dar errado.

Voltei para o hospital CEMA para ver isso, outro médico que me atendeu, pois o que fez a cirurgia já tinha ido embora. Avaliou meu olho e me acalmou dizendo que é assim mesmo, que no período de recuperação os olhos podem ter essas idas e vindas, nada fora do normal e que ambos os olhos estavam bem, nada a temer. Vi que era uma encanação minha e menos de um problema de fato. No fim da tarde a visão deste olho já tinha voltado e a noite já estava bom de novo.

No quinto dia (sexta-feira, 05/07) fui trabalhar, dessa vez no escritório direto no computador, acordei como todos outros dias, com a vista turva, mas enxergando e conseguindo ler as coisas em geral. Comecei a usar o computador no trabalho, tive certa dificuldade, não conseguia ler direito as diversas tarefas que tinha, mas fui forçando e aumentando o zoom para meu olho ir se adaptando, a luz em cima da minha mesa também não estava ajudando, comecei a sentir muito incomodo e secura nos olhos, pinguei o colírio muitas vezes.

Meu olho foi se adaptando, mas chegou um momento que estavam bem vermelhos e cansados e tive que parar, isso era por volta das 12h, comecei a trabalhar as 8h. Fiquei sem mexer no computador até as 13h, voltei e trabalhei mais um pouco e por sorte era dia de festa junina na empresa, pude abandonar o computador e ir para a festa, nela fiquei de óculos escuros que permitiram minha vista relaxar um pouco mais, fiquei com os óculos até o anoitecer.

Nos demais dias (sábado e domingo) tive uma melhora nos dois olhos, enxergam melhor, mas ainda sinto esse vai e vem, as vezes enxergando bem, as vezes não. Já consigo ler as legendas da TV tranquilamente, a leitura no computador ainda é um pouco ruim, mas já melhor do que antes. Nesses dias a secura tem aumentado, tenho pingado o colírio mais rotineiramente, o que não fazia tanto antes, a ardência também aumentou, mas esse por conta do incomodo da luz que passei a sentir também. Quinta que vem (11/07) voltarei ao consultório para outra avaliação.

SEGUNDA-FEIRA, 01/07/2013 – DIA DA OPERAÇÃO

Cheguei junto com minha companheira (Cuca) no hospital CEMA às 12h30, o procedimento  estava agendado para as 13h30, mas minha ansiedade não permitiu que chegasse faltando meia hora como o combinado, ficamos na sala de espera até as 13h, quando nos encaminharam para outra ambiente de espera ao lado da sala que seria o procedimento.

As 14h10 fui chamado para a sala, lá me pediram para entregar os óculos, lavar as mãos com sabão e o rosto apenas com água. Coloquei também uma toca no cabelo, nos sapatos e um avental por cima da roupa mesmo, sendo encaminhado para a sala de preparação.

Nessa sala a enfermeira foi muito atenciosa, fazendo perguntas sobre meu estado físico e explicando como seria o procedimento que mencionarei abaixo. Logo após pingou o colírio anestésico em ambos os olhos e me levou para a sala de cirurgia.

Na sala da cirurgia fui colocado na maca e coberto, pois a sala era muito fria. Deitado a maca, fui conduzido para baixo da máquina a laser onde seria feito todo o procedimento. Sentado acima da minha cabeça na maquina estava o médico e mais duas enfermeiras, além da que me preparou que ficava sentada ao meu lado. Todos os passos foram sendo informados pelo médico para eu não me preocupar, a enfermeira sentada ao lado tinha o objetivo de me acalmar caso eu tivesse algo.

Nesse momento eu tinha que alinhar a cabeça com a máquina a laser, onde via apenas ela, que piscava uma luz verde no centro, quatro vermelhas nas pontas e mais quatro feixes de luz mais forte (provavelmente para o médico preparar meus olhos).  Foi tampado o olho esquerdo para primeiro operar o direito. Para que eu não piscasse colocaram um esparadrapo na pálpebra e em seguida colocaram um “espéculo de pálpebra”, tipo uma presilha de metal que impede de fechar os olhos. Não senti dor nenhuma apenas um leve desconforto nesse momento.

Depois o médico marcou minha córnea com um ferrinho com três ou quatro pés para fazer o corte dela na sequência, também indolor. Feito isso, lavaram meu olho com soro e então veio a máquina que cortaria a córnea, ela faz uma pressão forte no olho e nesse momento você não enxerga nada, feita a pressão corta a córnea, o barulho do corte da para ouvir, é outro momento que aumenta a agonia e desconforto, mas continua sem dor nenhuma.

Aberto o flap (esse tampão que fazem na córnea para arrumar a visão), dão uma última ajustada na máquina e informam que vão ligar o laser. Essa foi a parte que mais me agoniou, por não saber o tempo que ficaria fazendo isso. O laser vermelho começa a disparar e você só enxerga ele piscando e o barulho que faz incomoda, junto disso sobe um cheiro de queimado que aumenta a agonia, contudo demora em torno de 30 segundos. Nessa hora cacei com a mão a mão da enfermeira ao meu lado para apertar, já que ela tinha se disposto a isso não tinha porque fazer essa desfeita. Quando acaba é possível dar aquela suspirada de alívio por estar no final.

O médico fecha então o tampão (flap), e pinga mais alguns colírios no olho, pede para esperar dois minutos para secar (secar não sei o que, mas nessa hora a gente faz tudo que mandam) e então tapam esse olho para iniciar o mesmo procedimento no meu olho esquerdo.

O segundo olho é muito melhor, embora você sinta mais incomodo com o “espéculo de pálpebra”, não sei se foi psicológico, pois a enfermeira disse que todos reclamam do incomodo maior no segundo olho desse procedimento, ou se incomodava mesmo, mas de resto foi tranquilo por saber o que ia acontecer passo a passo.

Depois de acabado o procedimento a enfermeira coloca os protetores nos olhos para você sair, tudo estava muito embaçado e ela foi me conduzindo para a sala do médico, onde outra enfermeira passou os colírios que eu deveria pingar me mostrando na receita (como se eu conseguisse ver, mas deixei quieto, ela deveria ser nova e eu muito ansioso para perguntar qualquer outra coisa) marcando retorno para o dia 03/07 pela manhã. Sai da sala as 14h45, todo esse procedimento durou 35 minutos.

Lá pelas 18h eu já conseguia ver bem melhor as coisas, ainda tudo muito embaçado, mas melhor do que antes com meus óculos. Não conseguia ler, mas as coisas já davam uma forma melhor, pela primeira vez na vida me vi no espelho sem óculos conseguindo ver mais claramente como eu era.

Sentia apenas um incomodo nos olhos como areia, mas bem pouco, não doeram, não coçaram, nem arderam. Estava bem vermelhos e só.

O OBJETIVO DESSE BLOG - MEU DIÁRIO

O objetivo desse espaço é relatar passo a passo a minha cirurgia dos olhos. Antes de operar e mesmo depois procurei muitos outros relatos, mas não achei satisfatório o que encontrava, muitos testemunhos eram superficiais e todos já saiam enxergando além do horizonte, com visões melhores que de um super-homem, isso me incomodou já que não sai desse jeito. Isso não significa que possa acontecer, pode depende de cada pessoa, recuperação e grau. Eu tinha 6,75 de miopia e 2,50 de astigmatismo no olho direito e 7,25 de miopia e 0,75 de astigmatismo no olho esquerdo, um grau muito alto mesmo, por conta do astigmatismo a recuperação é mais lenta que o normal mesmo.

Usava óculos desde os 9 anos de idade e desde os 15 anos sonhava em fazer a cirurgia. Foi quando trabalhava de office-boy em uma empresa ao fuçar as revistas que tinham lá encontrei uma daquela série Seleções, onde um homem relatava como foi a sua cirurgia da vista (não sei qual foi o procedimento, mas acho que não foi a Laser, já que fazem 14 anos que li e a revista já era velha) e como o mundo era novo para ele, como “o vermelho era mais vermelho”, foi a frase que gravei e até hoje é a única coisa que lembro, além da revista.

Tive um período de religiosidade intensa e o que me lembro disso era que tanto no início das minhas orações como no término diariamente pedia para ser curado, se Deus curou tanta gente cega e até ressuscitou mortos, porque não curar um míope que nem chega a ser um cego, mas não deu muito certo.

Na adolescência essa cirurgia era em torno de R$ 2.000,00 por olho, e com emprego de office-boy essa grana era impossível juntar, tinha meus desejos de consumo que iam além disso, já que ainda não tinha estabilizado o aumento da miopia, deixei pra lá.

Com a visão estável há mais de 5 anos e com um bom plano médico pela empresa (não mais como office-boy, claro) tive essa oportunidade, fiz todos os exames necessários, no primeiro mapeamento de retina deu que minha córnea era muito fina e que precisava fazer “Fotocoagulação a laser”, fiz esse procedimento simples, indolor, mas incomodo e no mapeamento da retina seguinte já mostrava que estava apto para o procedimento. 

Ai segue meu relato de cada dia, sou o André, tenho 29 anos, economista e militante da vida.